2.11.09

WAGNER GOMES

FATALIDADE

Radialista idealizador da Excelsior FM é enterrado

Sergio Guzzi - FOLHA DA REGIÃO
Segunda-feira - 02/11/2009 - 16h56

Araçatuba - Foi enterrado ontem de manhã, no cemitério Jardim da Luz, em Araçatuba, o corpo do radialista Wagner Gomes, 64 anos, morto na noite de sábado, em Mongaguá, vítima de infarto. Ele foi um dos responsáveis pela implantação da primeira rádio comunitária legalizada do município, a Excelsior FM, sintonizada na freqüência 104,9 MHz.Gomes morreu um ano e um mês após conseguir da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) licença para operar uma rádio comunitária no município, a Excelsior FM, instalada na casa onde morava, na rua Ana Nery, bairro Ipanema. A Excelsior FM tem abrangência de transmissão em um raio de 25 quilômetros. Gomes, que em Araçatuba trabalhou nas rádios Cultura AM e Difusora AM, iniciou carreira na década de 60, em São Paulo. Entre 1964 e 1978, ele trabalhou na Rádio Globo, como produtor, locutor e discotecário.

30.10.09



NEM RAUL SEIXAS
ESCAPOU!

Audiência Pública

Quantos medos cabem numa cabeça de político. O estado de alerta, a defesa imediata quando surpreendido por uma palavra, a resposta curta: − Professora, eu não estava colando!

“Estava esperando alguém escrever”.
Mesmo colando, o edil nega o flagrante.

Falar de luta marcial? Na Câmara? Não! Por favor, na casa de leis, onde se trabalha no campo das idéias, o debate nesse formato?

O discurso moralista e preconceituoso de um político, que usa o manto das imunidades para ofender, desdenhando das críticas e afirmando que não representa uma professora. Isso é como usar a liberdade de expressão para dizer mentiras!

Nós, eu e os seres humanos habitantes deste planeta, acreditamos cegamente na fala improvisada da professora. E se for ‘maluca’, melhor ainda, porque a minha melhor professora, a que mais amei, entre todas, era maluquinha. Quem acredita em político?

Discussão política, não é brigar a socos e pauladas. O medo é uma emoção saudável. Todos os seres humanos têm um tipo de medo. A professora maluca é ‘bacana’, como diz o prefeito; ela subverteu as normas da ‘casa da mãe Joana’, como diz o político. A autodenominada ‘maluca’, perdeu o seu medo e assustou a ‘autoridade’ presente. E agora?

Não somos perfeitos, o político pensa que é, mas é contaminado pelo medo. A vaidade inibe o senso crítico, e ele investe no ridículo. Falta capacidade para respeitar, aí está o medo. Entre nós, ainda existe o clichê: ”O meu direito termina onde começa o seu”. Alguns pensam que só os seus direitos prevalecem. Não se reelegendo onde irá parar: “O meu: Você sabe com que está falando?”.

Sem manipular a redação, a Doutora lembrou Raul Seixas, o cantor preferido dos internos do implodido Carandiru. As mensagens desse cantor contem um tipo de filosofia que não se aprende num curso de Direito.

Nem Raul escapou. O baú das maldades é aberto e nos revela as ‘qualidades’ políticas e o medo do político. O alvo de hoje, trabalhadores do SOSP, presos ou não, a professora, a juíza. Amanhã, a cor, a raça, a opção sexual a ideologia etc. Nos discursos mais elaborados estão os maiores pecados. E isso não cola. O povo de Araçatuba passa, acha graça, mas pede respeito.

Ventura Picasso
1851




8.10.09


“Letras de Chumbo”
FOLHA DA REGIÃO 15102009
VENTURA PICASSO
O caderno Vida da Folha da Região, em 29 de setembro de 2009, trazia em sua agenda na D2: “Noite de autógrafos – Nesta quinta-feira, 1º de outubro, o jornalista Fernando Sávio lança o livro-reportagem Letras de Chumbo – A imprensa na historia de Araçatuba”. Ed. COC 352 pg. R$35,00.

Trabalhei a noite inteira. As letras de chumbo que imaginei, e com as quais sonhei naquela noite, não eram as mesmas do Sávio. Na minha memória estava guardada uma Linotype Mergenthaler, “a oitava maravilha do mundo”. Senti o cheiro, o calor da morte lenta, provocado pelos vapores do chumbo derretido.

Não havia texto, eu escrevia palavras desconexas, encantado, observando cada tipo descendo, como se fosse montanha russa com looping, escorregando e tilintando alegremente para, num salto, abraçar sua vaga na linha das letras de chumbo. Um espetáculo inesquecível. Acordei cansado.

Ansioso, aguardava o dia do lançamento. A nobreza do Vívere Eventi, provocava os meus diabinhos maldosos, indagando como seria o movimento naquele luxo. Acaso encontraria na fila os 25 do “asfalto digno” (?), e o professor sem usina? Não quero saber, quero ser o primeiro a chegar.

Cheguei entre os primeiros, era 19h30’. Aguardando meu autógrafo, abri o livro na página 90. A carta do soldado Tito Cursino e de seu companheiro José dos Santos, vale a grandeza desse projeto gráfico sob a proteção de Chaim Zaher, resumindo em poucas letras, como vivíamos na década de 30. Como é gostoso rever o chumbão impresso naquele papel rústico amarelado. Tempos de crise internacional, mas ‘época da inocência’.

Na missiva, os soldados, por estarem em combate, encarregam o prefeito de avisar o alfaiate etc. (comprem o livro para ler a carta).

Por mim, se não o mais importante, é o mais criativo projeto gráfico, entre tantos outros, que marca o I Centenário de Araçatuba. Um jornalista, professor de jornalismo e de publicidade, demarcando o tempo com notícias de jornais. Sem duvidas é uma força histórica. Coisa para poucos. Não que os repórteres narrem a verdade absoluta, não é por aí. O Fernando selecionou em cada década, as melhores notícias de Araçatuba, veiculadas do primeiro ao último jornal editado em nossa cidade.

Jorge Napoleão Xavier, prefaciando a obra de Sávio: ... “O alvo de seu esforço hercúleo é registrar os fatos e eventos históricos, com metodologia, e não escandalizar.”

Continua: “Os artistas, os cantores, os locutores, os jornalistas, os redatores, os colunistas, os apresentadores, os amigos e os colegas tantos que o livro redescobre e nomeia, que saudades, que emoção!”.

Com livro autografado saí correndo para a Cia. Dos Blogueiros.
Grupo Experimental
2235

10.9.09


“O PRESIDENTE
RESPONDE”
8 de Setembro de 2009

Professor cearense perguntaNa Coluna "O presidente Responde", desta terça-feira, o presidente Lula respondeu a uma pergunta cavilosa de um 'professor' cearense (me mata de vergonha, professor) sobre sua predileção por jornais e educação [...]
Tantas perguntas relevantes que despertariam a atenção dos leitores como, por exemplo: 'Quais interesses a oposição e a mídia tem em obstruir a MP do Pré-sal', ou ainda sobre a própria profissão de pedagogo, mas o professor João Teles de Aguiar, 44, de Fortaleza, foi infeliz. Perdeu a oportunidade de ficar calado. Ele quis saber de Lula o seguinte:
“Dizem que o senhor não lê jornais e tem desprezo pelo conhecimento e pelo saber. Até que ponto isso é verdade?”
E o presidente respondeu:
“Na democracia, quem tem desprezo pelo conhecimento jamais chega a presidente da República”. “Eu recebo todas as manhãs um panorama de tudo o que foi tratado pela imprensa.
“Ao longo do dia, continuo recebendo informações de ministros, de lideranças políticas, empresariais e trabalhistas sobre questões nacionais e internacionais...”
“Não poderia dar informações se não tivesse informações”. E explica de forma erudita o porquê da aversão que desenvolveu em relação aos jornais.
“Alguns deles parecem ter se especializado apenas em notícias negativas, de modo que se tornaram capengas, deixando de transmitir as variadas dimensões da realidade”.
“Quanto ao saber, logo eu, que não pude ter uma educação formal, tenho feito muito mais pela educação do que governantes que tinham verdadeiras coleções de diplomas”.
Lula prosseguiu: “Em meu governo, estamos criando 14 novas universidades, 104 extensões universitárias...”
“...Concedemos 540 mil bolsas de estudos a jovens de baixa renda para curso superior...”
“...Duplicamos o ingresso de estudantes nas universidades federais e estamos construindo 214 escolas técnicas”.
Vá se informar, João.

Postado por:
Antonio Carlos Medeiros at 15:29

1.9.09


LAMBADA
FOLHA DA REGIÃO - 17092009
Ventura Picasso

Morei numa cidade do interior com quase trinta mil habitantes, porém, nos finais de semana, chegava a receber outras trinta mil de turistas curiosos. Nesses lugares, é normal ou comum, a ostentação. Os vaidosos humanos, revestidos de etiquetas das mais famosas grifes, brilhando como estrelas no firmamento, o ostensor iluminado ficava ‘se achando’, ainda mais quando vinha da capital pra dançar lambada ‘de três’. E tome carrão, motão e triciclão roncando nas alamedas com seus motores turbinados, sem limites ou controles.

Os modelos? Todos. As cores, as mais lindas. Eles saiam da rodovia e entravam na cidade como se estivessem no Spa de Francorchamps, de pé embaixo. A Rua Riachuelo era a reta de chegada. Assim como o Schumacher, eles passavam tirando uma fininha do meu portão. A gente não aplaudia claro, nem vaiava, não dava tempo. A Moët & Chandon, no pódio, não sobrava pro nosso banho.

O prefeito da cidade, José Gasparini, que não era doutor, era ‘amigo’ de todos. Não posso dizer que foi um bom prefeito. No departamento de águas, todos lidavam com água. Era de direita, rico e inimigo do PT. Sempre que nos encontrávamos ele reclamava: Picasso, esses ligeiras do PT que andam com você, me dão um (pt) trabalho. Eles nunca estão contentes com nada.

Mas, o Zé, era esforçado. Queria humanizar a cidade. Sabe companheiro, dizia (me gozando), ninguém consegue segurar o trânsito, aqui ou em outro lugar do Brasil, só existe uma única possibilidade, já testada por mim, de fazer esses ‘pilotos’ cafajestes obedecerem às leis de velocidade urbana: Chama-se ‘quebra molas’. Vou encher a cidade com esses obstáculos, e não vou sinalizar nada!

E continuou:
− Você conhece aquele engenheiro italiano que tem uma Alfa?
− Sei sim, todo engenheiro italiano tem uma Alfa.
− Pois bem, quando fiz o quebra molas em frente à Jatobá, o “carcamanno” vinha voando no Alfa. Ao pressentir que estava no mato sem cachorro, enfiou o pé no breque da ‘máquina’, como dizem os macarrones, a dianteira do fantástico móbile abaixou. Entrou com tudo no obstáculo, saiu sem o bujão do cárter, espalhando óleo pela avenida, o propulsor virou uma caixa de pregos. O Alfa fez um pit stop de dois meses. Enzo hoje, desfila pela cidade a trinta por hora, e certamente, faz splash and go pro resto da vida.

A filosofia do amigo alcaide, era coerente. Se quisessem dançar lambadas, antes, porém, teriam que pular lombadas, uai! O preço do quebra molas não estava na pauta do conselho, mesmo porque, quem mandava era o Zé. Agora uma coisa tem que ficar muito claro: Se fosse caro um quebra molas, sem dúvida, o Zé encheria todas as esquinas da cidade de bons buracos. Se há colesterol bom, deve haver buraco bom; né?

Ventura Picasso – Grupo Experimental - 01092009
2241

6.8.09


PUDIM DE LEITE
VENTURA PICASSO
FOLHA DA REGIÃO 13082009
Lendo “A utopia é científica” do Miguel Nicolelis, deu pau no meu PC. Liguei pro Renato e ele mandou: “Traz aqui pra eu ver, isso não é nada.” Desliguei trezentos fios, todos coloridos, e levei o traidor para uma leve revisão.
Encurtando, trocou a fonte de alimentação, trocou o winchester, trocou o PC inteiro.

Computador novo, tudo em cima, me acomodei na cadeira, liguei a máquina, o mouse quebrou. Que rato! O pudim está queimando, o cheiro de açúcar invadiu o escritório.

Eu ao telefone: Alô, Renato; O mouse quebrou. Traz aqui diz ele, isso tem, garantia.
Arranquei a porcaria da USB do CPU, enrolei o fio e rumei pra loja.

− Quebrou mesmo, não se preocupe que tem garantia. Leva pro vendedor ele troca.

O vendedor olhou de lado, de baixo pra cima, ele estava assentado e o cliente aqui em pé. Desinteressado pela ocorrência, que para o técnico não era nada, mas pra ele que vende, estava valendo vinte paus.

Com certo desprezo, e com conhecimento do produto foi falando:
“Isso não tem garantia, não. Sabe lá a força que você tem no dedo? Não posso garantir esse mouse, compre outro!”

Fiquei com cara de beque quando marca gol contra como diz, o filosofo e goleiro do Corinthians, Felipe. Saí ralando: nunca mais compro nada nessa boca de porco. Esse cara nunca vai sentir o cheiro do meu pudim.

Voltando pra casa muito revoltado, passando em frente de uma residência, uns vinte cachorros latindo ao mesmo tempo, parecia um coral. Cachorro quando olha pra mim tem que latir. Com essa cara que me deram, cachorro que não ‘me’ late é cego. Irritado, detesto cão e gato e pet shop. Em casa não tem pudim pra cachorro.

Atravessei a Rua Cristiano Olsen e dei de cara com uma revenda de bugigangas pra nerds que estão na moda. Fiquei sabendo que o Nabuco Donosor, não é o Negrão, é o pai dos nerds. Tem mouse pra vender?
− Tem sim senhor.
Tem garantia?
− Tem sim senhor.
Quanto tempo?
− Dois anos.
Quanto custa?
− Sessenta reais.
Tem desconto?
− Não senhor.
Aceita cartão.
− Acrescento 5% de custo operacional.
Em dinheiro não tira nadinha?
− Não senhor.
Esse cara não come o meu pudim.

Quero levar um fechado na caixa lacrada.

Subindo a Pereira Barreto entrei na recauchutadora de cartuchos e reclamei que a impressora não reconhece a tinta preta.
− À tarde, o motoboi leva outro pro senhor.

Descendo a Salles Oliveira, o meu Fusca foi interceptado por um Uno. Acabou a frente do mafioso, e o Fusca, ficou com a lateral traseira imprestável, com cara de rato. Na delegacia fiz o boletim de ocorrência e mandei o mecânico fazer o conserto.

Antes não tivesse ido ao Renato reclamar daquele rato. A bruxa me pegou e no frigir dos ovos, nem eu vou comer pudim. Pudim, hoje? Só pro Miguel Nicolelis!
06082009 2224 Ventura Picasso.




3.8.09


AGOSTO
VENTURA PICASSO - 29072009
Já não sei mais nada. Não dá para entender. José Sarney entocado. O nosso asfalto, a tal Oxford impugnou. O juiz, para ser admirado, pediu a devolução do kit, oops!
Cido Sério não desanima e recomeça. Aqui na terra a direita derrotada quer, a qualquer custo, engessar o governo petista: Por preconceito, por falta de percepção ou por ser petista?

Em Brasília os poderosos, estão sob pressão intensa, ambos tangenciando agosto, tentando explicar o inexplicável. De um lado o dono do Brasil, Daniel Dantas às voltas com o federal Protógenes e com o juiz De Sancts; do outro José Sarney, o político mais poderoso do país, quem diria, em confronto com seus velhos parceiros.

Em Araçatuba o atual prefeito Cido Sério herdou o abandono administrativo do velho. O prefeito cassado saiu pelos fundos deixando seus vícios, seus cúmplices e os inconformados com as derrotas jurídicas e política. Esperar o que de quem surgiu no PSD pré-AI-2, passando pela ARENA, PDS, PFL e DEM?

Em 2009 começamos agosto com a anulação do edital de licitação para reconstruir o piso asfáltico de nossa cidade. Antes, porém, o drama vivido pelas famílias das crianças que receberam o kit escolar. Segundo um juiz, as crianças deveriam devolver o kit à prefeitura. Abalados, alguns pequeninos, esconderam o tal kit. Nunca tiveram nada igual. Fiquei alarmado com a interpretação da justiça, ignorando o sentimento de pais e filhos e, embasada tão somente na letra fria da lei. O bom senso não tem letra. O Estatuto da Criança entrou em ação.

A devolução do kit, das crianças do fundamental, resolveria o erro do governo ao oferecer uma Araçatuba digna para todos?

No Brasil, mês de agosto é de cachorro louco. A historia imutável deixa-nos um rastro de recordações. A partir de 1954, o agosto inicial: Niemeyer projetou o Mausoléu Getúlio Vargas, na praça XV de Novembro em São Borja RS, onde repousam os restos mortais do presidente suicida, que deixou a vida na madrugada do dia de São Bartolomeu, em 24 de agosto de 1954.
Juscelino Kubitschek nos deixou em 22 de agosto de 1976. Jânio Quadros, não resistiu às forças ocultas, renunciou em 25/08/1961. Em 25/08/1992 foi aprovado o relatório do impeachment do ‘Caçador de Marajás’ Fernando Collor.

Agora, no jogo da berlinda, encontramos o poderoso José Sarney, que com a morte de Tancredo levou a presidência, e esticou o mandato para cinco anos sem alardes. De 1958 até hoje, transitou pela UDN, pela ARENA e PMDB. Ele dispensa protetores, mesmo em agosto, Sarney manda e protege.

Nós não temos asfalto. Cido Sério do PT não tem proteção. A perseguição é implacável. Mas, ‘navegar é preciso’. O navegador usa ferramentas de precisão para saber onde está. E ‘esse barco, meu caro, tem um leme’!

Ventura Picasso – Grupo Experimental

2273
"Cada vez mais ponho da essência anímica do meu sangue
o propósito impessoal de engrandecer a pátria e contribuir
para a evolução da humanidade" (Fernando Pessoa).