23.6.09



Diploma desnecessário:
uma vitória da lógica e da democracia

Correio da Cidadania por Luiz Antonio Magalhães
19-Jun-2009

Não é mais preciso de canudo para ser jornalista no Brasil. Em uma decisão histórica, o Supremo Tribunal Federal julgou na sessão de quarta-feira (17/06) a questão da obrigatoriedade de diploma específico para o exercício da profissão de jornalista. Foram oito votos contrários e apenas um favorável à exigência. Trata-se de uma vitória do jornalismo e da democracia brasileira, reafirmando as teses da liberdade de expressão e do livre pensamento, garantidas pela Constituição Federal.

Este observador já se manifestou sobre o assunto (
aqui e aqui, entre outros tantos comentários no Observatório da Imprensa ou no blog Entrelinhas) e sempre apoiou o fim da obrigatoriedade do diploma. Antes que alguém pergunte, cabe logo o esclarecimento: jornalista desde 1995, quem assina este texto não tem o diploma específico, é formado em História pela Universidade de São Paulo e abandonou, no terceiro ano, o curso de Administração Pública na Fundação Getulio Vargas para abraçar a profissão (opção esta que acarretou algum prejuízo material, certamente). É preciso, portanto, desde logo esclarecer que não se trata aqui de advogar em causa própria, pois ao longo desses quase 15 anos a falta de diploma jamais foi óbice para o trabalho em veículos tão diferentes quanto a Folha de S. Paulo, Correio da Cidadania, PanoramaBrasil, DCI, Valor Econômico, além, é claro, deste Observatório, desde o ano 2000.

A questão da exigência do diploma para exercício do jornalismo é na verdade até simples: a profissão de jornalista dispensa a formação universitária específica porque não existe nenhuma técnica, norma ou regra que não se possa aprender nas redações, trabalhando, ou seja, fora das salas de aula. Há diversas profissões com as mesmas características, além da de cozinheiro, citada ironicamente pelo ministro Gilmar Mendes. Publicitários, músicos, artistas, escritores são alguns assemelhados: é perfeitamente possível realizar o trabalho sem ter aprendido a teoria na escola.

Tudo que um bom jornalista precisa é de talento, curiosidade e vontade de aprender a exercer a profissão, seja na universidade ou no dia-a-dia de seu trabalho. E de preferência manifestar esta vontade ao longo de toda a sua vida, continuamente.

Salvo exceções, os melhores profissionais acabarão sendo os mais bem formados e para isto só há uma coisa a fazer: estudar bastante. Este observador recomendaria a um jovem que deseja ingressar na profissão que curse qualquer faculdade – pode ser Direito, Economia, Engenharia, qualquer das Ciências Humanas ou até mesmo Medicina, Química ou Matemática. Uma pós-graduação em Comunicação complementaria maravilhosamente a formação, mas isto não é uma necessidade imperiosa.

O fim da exigência do diploma acaba com uma barreira corporativista tacanha, levantada por um sindicalismo medíocre, e não significa em absoluto o fim das escolas de jornalismo. De fato, o fim da exigência não impedirá que muitos jovens continuem cursando jornalismo para ingressar na profissão. Atualmente existem excelentes faculdades de Publicidade e Marketing, embora o diploma não seja obrigatório para o exercício da profissão. Muitos profissionais que se destacam neste meio são recrutados nas universidades. Por outro lado, gente com talento especial e até sem educação formal alguma poderá exercer o jornalismo sem os constrangimentos dos defensores de um canudo que no fundo só servia para a manutenção de seus próprios feudos no meio sindical. Ou alguém imagina, em sã consciência, um sindicato dos escritores lutando pela exigência de diploma específico para a profissão de escritor; um sindicato dos atores tentando impor a freqüência em escolas de arte dramática para que seus pares subam nos palcos?

É claro que a Fenaj e as faculdades privadas (ou seriam fábricas de diplomas?) não vão dar a batalha por perdida, certamente vem aí algum projeto de lei estapafúrdio como o do Conselho Federal de Jornalismo para reinventar a obrigatoriedade do diploma. Afinal, ninguém larga a rapadura assim de graça, portanto, esta briga ainda vai longe, muito longe.

Tudo somado, porém, a verdade é que o STF tomou a decisão mais acertada. Não que a questão do canudo seja central na discussão sobre mídia e imprensa no país hoje, mas o fim do diploma obrigatório foi bom para o Brasil, bom para o jornalismo, bom para os leitores. O futuro vai mostrar a correção da decisão tomada em uma fria quarta-feira de junho.

Luiz Antonio Magalhães é jornalista.

26.5.09


Fogo de Encontro
FOLHADA REGIÃO - 28052009
Ventura Picasso

Não peço desculpas pelo que escrevo, mesmo por que, me ocupo e me comprometo com a verdade. Manipular a escrita de outros usando o que se chama ‘fogo de encontro’, para confundir o leitor, nunca farei.

Para confundir falam de democracia. Coitados dos ‘brancos’. Quando Cabral chegou a Terra de Santa Cruz encontrou lindas matas e rios, habitada por gente inocente, que gostava de festa, de musica, andavam nus e enfeitados com lindas plumas.

Anderson, não desista, defenda a inclusão de todos aqueles que estão sobrando e continue provocando.

O teu texto (Políticas afirmativas A2-21/5/2009) neste jornal, Folha da Região, é imprescindível. Em 1500, nesta Santa Cruz, se falava 1200 idiomas. Depois, esses infelizes ‘brancos’, coitados, batizaram a terra de Brasil e a povoaram de escravos.

Todos são iguais perante a lei, até os ‘brancos’ neonazistas de plantão, que não toleram os diferentes, estão sujeitos a ela. As leis protegem os indivíduos e a sociedade como um todo: homossexuais, índios, negros, brancos, crianças, mulheres, os sem isso, sem aquilo, indeniza os nossos heróis da resistência que lutaram contra a ditadura.

Negros e índios não são incapazes, são impedidos de competir em condições de igualdades. Felizmente existem bons ‘brancos’ como os da SPFW-S. Paulo Fashion Week, que acaba de assumir o compromisso de abrir vagas, em seus desfiles de moda, para 10% de modelos negros.

Esse “fogo de encontro” nos deixa uma lição: Quem exagera o argumento, prejudica a causa (F. Hegel). Exacerbar os argumentos preconceituosos, defender os limites da moral, da ética desses ‘brancos’ em nome da democracia, transforma uma causa, já sem fundamento, em inaceitável.

Lula tem um projeto para acabar com as diferenças sociais neste país. E nós aceitamos mais oportunidades aos excluídos, mais bolsas e cotas universitárias, mais merenda escolar.
Resolver problema social, não e proteção nem favor, é direito do cidadão.
Aprovo sem questionamentos os textos do Anderson A. Soares.

Ventura Picasso – Coordenador do Grupo dos Pensadores de Araçatuba.

1765

7.5.09



Eterno Retorno
Ventura Picasso -

'MENTE CAPTA' - (Folhetim - 23032003)

François Jacob, biólogo Nobel declarou: “Não existe criador nenhum nessa história, a vida é fruto de uma grande coincidência”. A partir dessa visão, outros pensadores afirmam que não existe deus, e que só o tempo é eterno. O universo em seu giro caminha solto no éter sem objetivo, não vai a lugar algum, a não ser ao seu eterno retorno, vida e morte.

A vida de Friedrich não tinha um objetivo. Não conseguia conviver em sociedade, e fomentava a solidão, mas não se habituava a ela. Jamais encontrou o código de comunicação com a felicidade. Uma amiga em Roma, Malwida von Meysenburg, autora de "Memorias de um idealista", wagneriana radical, diante de tal angustia, insistiu que ficasse para conhecer uma jovem russa.

Lou, psicanalista e escritora, nascida a 12 de fevereiro de 1861 em São Petesburgo. Uma intelectual alemã, nascida na Rússia, que escandalizou a sociedade quebrando regras morais. Friedrich, aos 37 anos, seduzido apaixona-se. Porem, ao propor-lhe casamento é recusado, restando a amizade, suportável pelo desejo, e na condição de discípula. Ele nasceu em 15 de outubro de 1844 em Röcken, localidade próxima a Leipzig na Prússia.

A nossa 3ª personagem deste eclipse, Sigmund nasceu em Freiberg (Moravia), em 1856. Não posso afirmar se Friedrich conhecia a obra de Sigmund, mas Sigmund conhecia a obra de Friedrich pela boca de Lou.
Foram contemporâneos.

As relações emocionais e intelectuais, de Salomé, com artistas e filósofos da maior importância do século, são impressionantes (Jung, Henri Bergson, Sartre); Viveu por cinco anos com Paul Rée em Berlim, fez um casamento aberto com Carl Andréas, e passa a usar o nome de Louise (Lou) Andréas-Salomé; Dez anos mais tarde encontra-se com René (Rainer) Maria Rilke, uma paixão de quase cinco anos. Em 1911, seguiu para Viena e viveu um romance com Victor Tausk e conheceu Sigmund, uma amizade que durou até sua morte em 1937.

Agora, abrindo o cofre das coincidências posso me fazer entender com facilidade. Em 1885, é escrita a ultima parte de Assim Falou Zaratustra, ou o evangelho de Friedrich Wilhelm Nietzsche. A Interpretação dos Sonhos, de Sigmund Freud, obra terminada no ano da morte de Nietzsche na cidade de Weimar, em 25 de agosto de 1900.

É seguro que Freud respeitava e queria estudar a obra de Nietzsche, para isso ele pretendia paralisar todas as suas atividades e dedicar-se ao estudo, pois tinha muito a ver com a psicanálise, não só o conteúdo da obra em si, mas a saúde de Nietzsche.

A obra de Nietzsche é descoberta em 1902, quando Freud tinha 46 anos, e é o marco do surgimento da psicanálise.
Para o 1º, a cura do homem é entender o homem e a lei (Super-homem).
Para o 2º, o respeito entre seu desejo e a lei (sob uma visão Edípica).

O encontro, ou a trajetória intelectual desses gênios, assim como o Big Bang, não passa de uma grande coincidência cósmica.

“Ouse, ouse... ouse tudo!!

Não tenha necessidade de nada!

Não tente adequar sua vida a modelos,

nem queira você mesmo ser um modelo para ninguém.

Acredite: a vida lhe dará poucos presentes.

Se você quer uma vida, aprenda... a roubá-la!

Ouse, ouse tudo!

Seja na vida o que você é, aconteça o que acontecer.

Não defenda nenhum princípio, mas algo de bem mais maravilhoso:

algo que está em nós e que queima como o fogo da vida!!”

(Lou Salomé)

A produção literária de Lou esteve sempre muito ligada aos seus envolvimentos amorosos e da relação com Rilke, aos 36 anos, resultaram obras fundamentais como "A humanidade da mulher" e "Reflexões sobre o problema do amor".

Ata – SP – Folhetim: ‘Mente Capta’ - 23-03-2003 – Ventura PicassoAtualizado em 06052009 3067

6.5.09


Demagogia
VENTURA PICASSO
FOLHA DA REGIÃO
OPINIÃO - 5/5/2009

Como é agradável presenciar um jovem, futuro jornalista, identificando no meio da multidão, um carunchoso reacionário.

O Brasil é um país novo, em construção, reconstruindo e conservando tudo o que está pronto. Como se não bastasse às dificuldades orçamentárias, por tradição, fomos alcançados por todos os tipos de corrupção.

“Pequeno sou para dar aulas de política ou para fazer analise histórica dos 500 anos em que o Brasil foi conduzido por uma elite: primeiro colonialista, depois monárquica, mais adiante ruralista, passando por vários níveis de reacionarismo, em que a centralização do poder e da má distribuição de renda conduziram o Estado às condições de pobreza e ineficiência de que somos testemunhas hoje”.

Anderson Augusto Soares (“Demagogia”, Coluna dos Leitores, 30/4, A2), jovem, mas não pequeno. Você escreveu o que muitos brasileiros patriotas queriam escrever. Você escreveu por mim, por todos os homens e mulheres de bem, você escreveu pela nação.

A opinião do leitor Iranilson da Silva (“Demagogia”, Coluna dos Leitores, 25/4, A2), revela o oportunismo rançoso de uma pequena parcela retrógrada que ainda não aceitam o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como maior estadista que esta nação e o resto do mundo conhecem. Incluem-se nessa lista Barack Obama, que declarou, não à-toa, que Lula é o governante mais conhecido no mundo.

Não que os reacionários não saibam. Sabem tudo, mas sonham com o poder. O pesadelo é Lula na presidência. É Lula lá! Por isso essa manifestação mórbida contra a nação. Este país, nos últimos 5 anos acabou com a dívida externa, hoje somos acionistas e credores do FMI; Isso é muito chique!

O político mal intencionado finge que não vê, mas o passado é imutável e o futuro, a história que virá, pode deixar para esses jovens que já sabem separar o joio.
Ventura Picasso - 05052009
1525

30.4.09


Grito de Greve!

Em 30 de março de 1980, sem duvida, é o marco zero da historia política contemporânea brasileira. Em São Bernardo, a greve dos metalúrgicos que durou 41 dias estabeleceu novos limites entre os trabalhadores, as indústrias nacionais, multinacionais e governo. Os metalúrgicos de São Bernardo, Santo André, Taubaté e Jundiaí, após a indiferença patronal decidem entrar em greve.

Dom Cláudio Hummes, em apoio aos grevistas, abriu todos os salões paroquiais da diocese acolhendo os trabalhadores e suas famílias. O TRT não tem competência para julgar a legalidade da greve. S J do Rio Preto e Jundiaí retornam ao trabalho aceitando 6% de produtividade, sem estabilidade no emprego fixado peto Tribunal Regional do Trabalho. O mesmo acontece em Campinas e São Caetano.

Algumas empresas se dispunham a propor acordos em separado, mas o ‘Grupo dos 14’, da Federação das Indústrias de Estado de S. Paulo, não permitia. Em 17 de abril de 1980 Murilo Macedo, Ministro do Trabalho, decreta intervenção no Sindicato de S. Bernardo e Santo André. Na madrugada de 19/04 prenderam Lula e mais 19 pessoas sem mandado judicial e encaminhados ao Deops.

As prisões se sucedem Luiz Inácio da Silva e mais 12 dirigentes sindicais foram enquadrados na Lei de Segurança Nacional. Foram proibidas em S. Bernardo as comemorações do 1º de maio. Os locais de concentração dos grevistas estavam ocupados pela Tropa de Choque.

Dom Cláudio Hummes celebra a missa na Igreja Matriz em comemoração ao Primeiro de Maio. Terminada a missa, mais de 100 mil trabalhadores em passeata, obrigam a polícia a abandonar a Praça da Matriz, o Paço e o Estádio.

Em 09/05, os sindicalistas presos iniciam uma greve de fome exigindo a retomada das negociações e fim da violência policial. Era 11/05, em assembléia os trabalhadores aprovam uma moção para que os dirigentes presos suspendessem a greve de fome. A categoria suspende a greve. Em 20 de maio de 1980 o Deops liberta Lula e os demais dirigentes.

Naquele tempo, os trabalhadores sabiam que ao fim da greve não levariam nada. Mas, entre eles, havia uma consciência tremenda e afirmavam: ”Me ferrei, fui mandado embora sem direitos, mas estou preparado prá outra”.

Perderam algumas batalhas, mas venceram a guerra! Hoje os maiores salários do Brasil estão na região do ABCD.
Valeu...
24042009 Ventura Picasso - Para o Boletim do PT 01/2009
1931





Manifesto de Fundação do PT

Em 21 de abril e 1980, Luiz Inácio da Silva, mais 12 dirigentes sindicais foram enquadrados na Lei de Segurança Nacional. Essa punição bania da vida sindical, definitivamente, os dirigentes sindicais atingidos.

“Não podemos fazer política no sindicato, vamos fazer política partidária”, (mais ou menos) com essas palavras, Lula informou à sociedade que continuaria sua luta contra a ditadura.

Começamos a discutir a legislação pertinente. Precisávamos de um número de diretórios municipais em cada Estado. E no Brasil exigiam uma quantidade de Estados. Saímos do zero absoluto em busca de um partido de massas.

Muitos companheiros passaram a viajar por todos os cantos do país a procura de pessoas que quisessem fundar o Diretório Municipal em suas cidades.

Chegamos a Araçatuba e encontramos o jornalista Oswaldo Pena. Perguntamos o que fazia? Falou que estava prestes a fundar o PT na cidade. Demos meia volta e deixamos a região.

Tempos depois, soubemos que a (missionária) Maria do Socorro e o jornalista e escritor Donosor Negrão, finalmente fundaram o PT em Araçatuba. Como Socorro encontrou Negrão não sabemos. Ela freqüentava a igreja e ele os bares noturnos.

Naquele tempo escolhíamos os novos filiados que se dispunham a nos ajudar. Não aceitávamos o dono da farmácia, do armazém, do açougue queríamos os operários na direção do PT, fosse onde fosse.

Roque José Ferreira, hoje vereador em Bauru reclamava: “Aqui na cidade não existe metalúrgica; como fundar o PT sem metalúrgicos?” Muitos pensavam como Roque, que o PT, era um partido de metalúrgicos.

A cada tentativa de apresentação da papelada, ao Cartório Eleitoral, e conseqüentes atrasos, gerava uma ansiedade sufocante. Os prazos legais nos atropelavam.

Ainda não confiávamos na ‘Abertura Democrática’. Nossos documentos pessoais eram verdadeiros. Havia a hipótese de perdermos novamente a liberdade e os direitos políticos.

Falou-se, na época, que os documentos que seriam apresentados à Justiça Eleitoral foram roubados. Nunca testemunhamos fato semelhante.

Finalmente, após encontro realizado no Sion de SP em 10 de fevereiro de 1980, foi publicado no Diário Oficial da União em 21 de outubro de 1980, o Manifesto de Fundação do Partido dos Trabalhadores-PT, que nasceu da vontade de independência política dos trabalhadores.

PT – Saudações. Ventura Picasso – Filiado em março de 1981
2023

22.4.09


PT e o governo Cido Sério
Ventura Picasso
Jornal do PT - abril/2009

Fundado em 11/02/82, num ambiente político que acomodava o PCB, PC do B e PSB, não havia motivação para criar mais um partido comunista ou socialista, mas sim um partido dos trabalhadores organizados. E o objetivo principal, segundo os debatedores, que fosse um partido das massas assalariadas. Daí, Partido dos Trabalhadores-PT.

Foi, sem dúvida, o maior acontecimento político do sec. 20. Os erros cometidos pelos partidos de orientação socialista foram evitados no Programa, no Estatuto e no Manifesto do PT. Os avanços nas propostas partidárias superavam as do Partido Comunista Italiano-PCI, até então, considerado o mais moderno do mundo. A chamada mais importante do coletivo consistia em dar ao trabalhador o direito de administrar os bens por eles gerados.

Assim, um bancário de Araçatuba Cido Sério, sindicalizado e politizado segundo as normas do sindicalismo moderno, ingressa na Faculdade Toledo, se forma em direito e, assume a presidência da Afubesp em S. Paulo, logo após, se elege Deputado Estadual e em seguida vence as eleições para prefeito de Araçatuba, derrotando as forças mais conservadoras do Estado de S. Paulo. O operário assume o poder político deste município e nesta semana, presta contas dos CEM dias do novo governo.

A contradição que vitimou os partidos progressistas mais antigos, conforme testemunhei em várias ocasiões transitando na contramão da prática militante. Buscavam nas universidades, voluntários para ingressarem nas fábricas para conscientizar os trabalhadores.

Hoje o PT é um partido de massas. Distribuído no país governando muitos municípios e Estados. Em nossa região, a derrota imposta aos velhos senhores da política é um fato da mais alta importância, inacreditável. Apesar de, pela primeira vez, agregarmos tantos partidos em nossa coligação, sabemos como administrar as diferenças. Há, contudo, algumas barreiras. A democracia petista é vista com desconfiança por parte da sociedade, dos integrantes do governo, e porque não dizer, no próprio partido.

A dificuldade de saber onde somos diferentes. Conviver democraticamente com tantos partidos, superar seus vícios, orientar os nossos comissionados no caminho das liberdades democráticas, como governo, partido e militância, exige nossa atenção permanente em todas as ações de cada cidadão. O governo deve apresentar-se como exemplo de competência administrativa. “O modo petista de governar”.

Entre os grandes projetos apresentados até aqui estão: Licitação das galerias pluviais no Umuarama; Recuperação do reservatório ETA 1; Transferiu o prédio do Hospital Modelo ampliando o Fórum da Comarca de Ata.; Construção do novo centro administrativo do Corpo de Bombeiros; Inclusão de Ata. no PAC; Centro de Distribuição de Álcool BR Distribuidora; Universidade Aberta para Gestores da Educação e Formação Tecnológica; No Hospital da Mulher, mamografia e colonoscopia; PROCON itinerante etc., e por fim a tão esperada licitação para asfaltar, recapear e intensificar os trabalhos de manutenção das vias públicas da cidade. Aqui está uma descrição miúda dos CEM dias de Cido Sério do PT.
Texto original enviado aos editores do Jornal do PT

2663

5.4.09


DORA!
Ventura Picasso


Sempre soube que é um grande poeta. Faz o que quer das palavras, e o faz sempre, com graça. Não aquela graça mística, mas a que nos faz rir. No livro Experimentânea 6, Editora Somos, encontrei Laerte em Minguante: “Logo ontem que eu estava faminto, um poeta guloso deixou lá no céu um pedacinho da lua. Revoltado, fiz bolinho de chuva e afoguei sua poesia”.

“É Impressão Minha ou Estão Batendo na Porta?” Obra prima de Laerte Silva Junior da Cia. Teatral Um e Outro. Há mais de oito anos escreveu essa peça, mas aguardava a hora para lançá-la. Reunindo os artistas ensaiaram durante nove meses. O tabu ainda existe. Não é fácil escrever, dirigir e apresentar num palco, cobrando ingresso, o tema da pedofilia. Crianças são estupradas por médicos, violentadas nos palácios, ou na periferia entre vítimas da miséria.

No palco, percebemos a coragem para ser mais uma Dora. Todos nós somos Dora. Entramos no teatro pela porta dos fundos invadindo um espaço privado, particular e nos misturamos, para conviver com o silêncio do drama imposto pela violência sexual, e como eles, somos apenas Dora.

As chibatadas é a violência que deixam cicatrizes e marcas profundas todas as vezes que são abusadas. Uma goteira persiste como um martelo criando uma insuportável angustia. É a consciência confusa, é o corpo imundo que não se limpa. È a casa sem portas. A campainha toca, mas não há campainha, pessoas que não distinguem o certo do errado ou a dor do prazer. O telefone chama, mas já não há telefone! Vítimas eternas de uma perversão sádica repassável.

Todas as expressões artísticas trazem um forte conteúdo político e neste caso, Laerte ultrapassa a política e invade o universo filosófico. Busca a verdade. Não denuncia, mas aflito, quer debater a tese com quem puder naquela hora. Dora, lotando a platéia e ocupando o palco, drogada por chocolates, excremento, que destrói a moral, já não entende a realidade.

Sigmund Freud (1856-1934) não se conteve. Lança em 1896, a ‘Teoria da Sedução’ denunciando os efeitos nocivos das imposições sexuais contra crianças (Artigo: Complexo de Édipo e pedofilia de Jacob Bettoni – Folha de SP 14-11-2000). Ele quase foi à falência. Isolado por dois anos perdeu a clientela, mas resistiu. Entre as famílias à sua volta havia a prática comum da pedofilia. Seu pai, Jacob abusava de sua irmã e seu irmão. Sua paciente Emma foi violentada aos 12 anos.

Quando o entregador de pizza chega, a justiça acaba. Num raro lapso de lucidez vejo que “um poeta guloso deixou lá no céu um pedacinho da Lua. Revoltado, fiz bolinho de chuva e afoguei sua poesia.”
Levou Araçatuba ao Festival de Teatro de Pirassununga em 2009.
Vale à pena ver Laerte no teatro.


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